Lote falsificado de Mounjaro:  Anvisa aperta o cerco nas “canetas emagrecedoras”! Retenção de receita, regras para manipulação e alertas de segurança.

Lote falsificado de Mounjaro:  Anvisa aperta o cerco nas “canetas emagrecedoras”!

O mercado de medicamentos agonistas de GLP-1 (popularmente chamados de “canetas emagrecedoras”) entrou definitivamente no radar regulatório — e por bons motivos: alta demanda, uso fora das indicações aprovadas, eventos adversos, riscos em situações clínicas específicas e, agora, suspeita de falsificação.

A seguir, reuni e organizei as principais atualizações divulgadas pela Anvisa e orientações complementares e histórico sobre o assunto do momento!

✅  Anvisa determina apreensão e proibição de lote falsificado de Mounjaro!

Conforme publicação de 07/01/2026, a Anvisa determinou a apreensão e proibição de lote falsificado do Mounjaro, entre outros produtos citados na ação.

📌 Qual lote foi atingido?

  • Mounjaro – lote D838878

🧾 Por que a medida foi tomada?

Segundo comunicado da Eli Lilly do Brasil Ltda. (detentora do registro do medicamento no país), o lote D838878 não foi fabricado pela empresa.
Por esse motivo, o lote deve ser:

  • apreendido, e
  • não pode ser comercializado, distribuído e usado.

Atenção: quando o próprio detentor do registro informa que não fabricou o lote, isso acende alerta máximo para risco sanitário, pois a origem e as condições de produção tornam-se desconhecidas.

⚠️ Por que medicamentos falsificados são tão perigosos?

Produtos não registrados/falsificados podem apresentar:

  • dosagens incorretas
  • ausência do princípio ativo (falha terapêutica)
  • substâncias nocivas, impurezas e até contaminações
  • riscos imprevisíveis em pacientes com comorbidades ou em uso de outros medicamentos

A Anvisa reforça que apenas medicamentos produzidos em condições controladas e aprovados garantem padrões mínimos de qualidade, segurança e rastreabilidade. Versões manipuladas sem respaldo ou importadas ilegalmente ampliam o risco de eventos graves.

Produtos não registrados podem conter dosagens incorretas, ausência do princípio ativo ou substâncias nocivas, como bactérias e impurezas.

Monjaro Falso

🔎 Como conferir a veracidade do Mounjaro: LillyScan (verificação por QR Code)

Para ajudar no combate a falsificações, a Eli Lilly disponibiliza a ferramenta LillyScan.

✅ Método principal (QR Code)

  1. Acesse: scan.lilly.com/br
  2. Escaneie o QR Code impresso na embalagem do Mounjaro (com a câmera do celular).
  3. A plataforma confirma se o número de série corresponde a um produto original fabricado e comercializado legalmente pela Lilly no Brasil, ou se há inconsistências (ex.: código ausente/ilegível/irregular).

🧠 Outros sinais importantes (checagem visual e de compra)

  • Embalagem lacrada e intacta (lacre inviolado).
  • Bula e informações em português.
  • Impressão de qualidade, sem falhas ou dados ilegíveis.
  • Consistência do lote: o lote na caneta deve ser o mesmo da embalagem externa.
  • Características da caneta: relatos indicam que a original tende a ter cor lilás suave e acabamento de melhor qualidade; falsificações podem apresentar variações grosseiras (ex.: roxo muito vibrante, rótulos de papel).
  • Compra em canais confiáveis: priorize farmácias autorizadas e redes reconhecidas.
  • Preço muito abaixo do mercado: é um sinal clássico de risco.

📞 Canais de contato informados (Lilly):

  • 0800 701 0444
  • WhatsApp +55 11 5108-0101

🧾 HISTÓRICO:

A Retenção de receita para GLP-1: regra entrou em vigor (23/06/2025)

Em 23/06/2025, entrou em vigor a norma (citada como IN 360/2025) que passou a exigir controle mais rigoroso para medicamentos agonistas de GLP-1 como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, entre outros.

O que mudou na prática?

  • Prescrição em duas vias
  • Venda somente com retenção da receita na farmácia/drogaria (modelo semelhante ao dos antibióticos)
  • Validade da receita: até 90 dias a partir da data de emissão

Por que a Anvisa apertou o controle?

A Agência apontou a necessidade de proteger a saúde da população diante do número elevado de eventos adversos, principalmente associados ao uso fora das indicações aprovadas.

  • 🧩 Retificações da Anvisa: ajuste de terminologia para facilitar a aplicação

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) comunicou à Anvisa (Ofício nº 992/2025) uma divergência entre os termos “VENDA SOB PRESCRIÇÃO” e “VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA”, argumentando que a expressão “médica” poderia dificultar a aplicação, já que outros profissionais (como odontólogos e médicos veterinários) também podem prescrever em contextos específicos.

Após análise, a Anvisa publicou retificação no DOU de 02/06/2025 para padronizar para:

  • “VENDA SOB PRESCRIÇÃO COM RETENÇÃO DA RECEITA”
    e
  • “VENDA SOB PRESCRIÇÃO – COM RETENÇÃO DA RECEITA”

O objetivo foi sanear inconsistências e tornar o texto normativo mais coerente e aplicável.

🏥 ALERTA IMPORTANTE: GLP-1 e risco em anestesia/sedação profunda (16/09/2024)

A Anvisa emitiu alerta (publicação de 16/09/2024) sobre o risco do uso de agonistas de GLP-1 em pacientes que serão submetidos a anestesia ou sedação profunda.

Quais substâncias foram citadas?

  • semaglutida (Ozempic, Rybelsus, Wegovy)
  • liraglutida (Saxenda, Victoza)
  • liraglutida + insulina degludeca (Xultophy)
  • lixisenatida (Soliqua)
  • tirzepatida (Mounjaro)
  • dulaglutida (Trulicity)

Qual é o risco?

A Anvisa alerta para risco de aspiração e pneumonia por aspiração, associado ao retardamento do esvaziamento gástrico causado por esses medicamentos.

Orientação prática:

  • Profissionais devem perguntar ao paciente se usa GLP-1 antes do procedimento e adotar medidas para garantir ausência de conteúdo gástrico residual.
  • Pacientes devem informar o uso ao profissional de saúde quando houver cirurgia/procedimento planejado.
  • Em caso de evento adverso, a orientação é notificar no VigiMed.
Conclusão: o que este cenário revela ao consumidor e ao setor

As atualizações mostram um movimento consistente: mais rastreabilidade, mais controle e mais fiscalização. O caso do lote D838878 do Mounjaro reforça que a alta demanda também atrai fraudes, e que conferir autenticidade deixou de ser “detalhe” — virou etapa essencial de segurança.

Ao mesmo tempo, retenção de receita, regras para manipulação/importação e alertas clínicos (como anestesia/sedação) indicam que GLP-1 exige uso responsável, acompanhamento profissional e compra segura.

🏪 Para farmácias e drogarias:

  • Segregar lotes citados e seguir protocolos internos de qualidade.
  • Reforçar que, para GLP-1, a dispensação deve observar prescrição em duas vias e retenção de receita, com validade de até 90 dias.

⚠️ A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO ATUALIZADO E OS RISCOS DE SANÇÕES

Na profissão farmacêutica, o conhecimento é uma ferramenta de proteção. Estar atualizado com as normas da Anvisa é o que diferencia um dispensador comum de um profissional que garante a segurança do paciente e a saúde financeira do estabelecimento. Com a digitalização, as falhas de interpretação tornam-se mais visíveis aos órgãos fiscalizadores, uma vez que o rastreio das informações será feito em tempo real pelo sistema federal.

O descumprimento dos requisitos estabelecidos na Portaria 344/98 e todas suas atualizações e legislação relacionadas, como a RDC 1.000/2025 não é algo que deva ser ignorado. A norma deixa claro que as infrações constituem crime sanitário, sujeitando o profissional e a empresa a sanções civis, administrativas e penais, conforme previsto na Lei nº 6.437/1977. Isso pode incluir desde multas pesadas até a suspensão do acesso aos sistemas de prescrição e interdição do estabelecimento. No limite, o erro na dispensação de um controlado pode custar o registro profissional no conselho de classe.

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Fonte: Anvisa

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Andréa Martins

Andréa Martins

Farmacêutica Graduada pela UFPB, com Pós-graduações em Vigilância Sanitária, pela PUC-GO e em Farmácia Homeopática, pela AFAR – UNESP.

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